O que andamos nós a fazer com as nossas vidas?


Muitas pessoas perguntam-me o quê que eu vim à Índia fazer. Eu venho para ver. Vim para me sentar aos pés do Ganges e pedir-lhe para que me mostre. Para que me relembre quem sou. E isto é das coisas mais belas que já alguma vez fiz, pois este Ser está vivo e tem tanto, tanto para nos ensinar. É uma Mãe que escorre flores de fé, lágrimas de Shiva, curvas de perfeição e reflecte as sagradas Montanhas. Daqui surgem todas as questões e todas as respostas. Mas questino-me, a mim, a ti, a nós, a quem eventualmente está a ler este texto: O que andamos nós a fazer com as nossas vidas? Tenho-me confrontado imenso com a morte, desde que cá aterrei. Vivido a morte, degostado o que significa morrer, o quê que realmente morre. Não é um tema muito simpático, mas é fundamental para vivermos em presença e em paz. A Índia ensina-nos muito sobre a impermanência da vida, como tudo é tão sensível, mas ao mesmo tempo cheio de vida (pois a vida incluí morte e nascimento constante). Aí onde estás também é igual, mas quando estamos na nossa zona de conforto, não conseguimos ver com tanta claridade, tudo parece como que garantido. Mas não! Essa, essa mesma pode ser a tua última inspiração, e se for, como partes daqui? Quantas marcas de amor deixaste no coração do mundo? Para quê que nos importamos tanto com a opinião dos outros, quando as primeiras pessoas a fezerem-no, são as que menos sabem viver a própria vida? Para quê ocupar tempo com coisas que não nos fazem bem? Ocupar-nos com inveja, competição, comparações? Como é que para isso existe espaço, mas para nutrir o amor, a compaixão, para respirar, aprender a ser mais feliz, não há tempo? Talvez porque temos muitas coisas para fazer ou porque é confortável ser se infeliz, mas não é felicidade que todos queremos? Não queiras olhar para o céu e achar que as constelações que vês são todo o Universo. O universo é infinito, assim como o número de milagres acontecer a cada segundo, "mas que não temos tempo para ver". Como me inspira esta mãe que tantos filhos nutre e lava sem pedir nada em troca, sem precisar de reconhecimento pelo que faz 24 horas por dia. Esqueçamos o "Normal". Larga, agora, o quartinho que construiste, onde já sabes de cor o lugar de tudo e vai atrás do que te é novo, do que te parece impossível! Isto é muito rápido! A água parada apodrece, a água que flui nunca passa pelo mesmo sítio, no entanto é a mesma água, tal como nós, a cada segundo que passa já não somos o que éramos no segundo anterior. Morre, renasce, morre, renasce até seres eterno. Jay Ganga Ma

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